Reposição hormonal depois dos 40: como saber se o seu coração está preparado?
Reposição hormonal depois dos 40: como saber se o seu coração está preparado?
A reposição hormonal pode trazer benefícios importantes para muitas mulheres no climatério e na menopausa. Mas existe uma pergunta que deveria vir antes de simplesmente decidir entre “posso” ou “não posso” fazer reposição:
Como está a minha saúde cardiovascular hoje?
Depois dos 40 anos, especialmente durante a transição para a menopausa, o risco cardiovascular da mulher começa a mudar. Pressão arterial, colesterol, glicemia, composição corporal, histórico familiar, tabagismo e outros fatores passam a ter ainda mais importância.
E é justamente por isso que a avaliação cardiovascular antes da terapia hormonal não deve ser encarada apenas como uma busca por contraindicações.
Não é apenas “liberar” a reposição hormonal
Uma boa avaliação cardiovascular procura entender o risco individual daquela mulher.
Duas mulheres da mesma idade podem ter riscos completamente diferentes.
Uma pode não apresentar fatores relevantes. Outra pode ter colesterol elevado, resistência à insulina, hipertensão, histórico familiar importante ou até sinais de aterosclerose ainda sem sintomas.
O objetivo é identificar esses fatores, tratar aquilo que pode ser modificado e ajudar a tornar a decisão sobre a terapia hormonal mais segura e individualizada.
O que deve ser avaliado?
A avaliação começa pela história clínica: idade, sintomas, pressão arterial, peso e composição corporal, hábitos de vida, histórico familiar e pessoal, além das medicações em uso.
Exames laboratoriais e cardiológicos podem ser indicados de acordo com o perfil de cada paciente.
Não existe uma lista única de exames que todas as mulheres precisam realizar.
O mais importante é saber qual exame faz sentido para aquela mulher e o que fazer com o resultado encontrado.
E se aparecer alguma alteração?
Encontrar um fator de risco cardiovascular não significa automaticamente que a mulher nunca poderá realizar terapia hormonal.
Em muitos casos, existem fatores modificáveis que podem ser tratados e acompanhados.
Por outro lado, existem situações em que o risco cardiovascular muda de maneira importante a decisão terapêutica e precisa ser discutido cuidadosamente entre a paciente e os profissionais envolvidos.
É exatamente por isso que a avaliação individualizada faz diferença.
Cuidar do coração também faz parte do cuidado na menopausa
A menopausa não deve ser tratada olhando apenas para os hormônios.
É uma fase importante para avaliar pressão arterial, colesterol, metabolismo, composição corporal, atividade física, sono e saúde cardiovascular como um todo.
A proposta não é criar medo em torno da reposição hormonal.
É fazer com que, quando houver indicação para utilizá-la, a decisão seja tomada conhecendo o risco cardiovascular daquela mulher e buscando a maior segurança possível.
Seu coração também precisa fazer parte da conversa sobre menopausa e reposição hormonal.